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Projeto estimula criação de insetos como fonte de proteína na Uganda

Em algumas regiões de Uganda, na África central, os gafanhotos são uma iguaria apreciada em determinadas épocas do ano.

Por Mais ES em 26/03/2025 às 18:22:08

Em algumas regiões de Uganda, na África central, os gafanhotos são uma iguaria apreciada em determinadas épocas do ano. E também são uma importante fonte de proteínas. O problema é que eles somem de lá em outras épocas.

Uma organização não governamental (ONG) de Uganda, chamada Mothers Against Malnutrition and Hunger (Mamah), ou seja, Mães contra a Desnutrição e a Fome, decidiu trabalhar, junto às comunidades, para garantir que o inseto esteja disponível o ano inteiro, por meio da criação desses animais em cativeiro.

"Insetos comestíveis têm muita proteína. Eles competem favoravelmente com outras fontes comuns de proteína, como frango e carne bovina. O desafio é que eles só existem sazonalmente. Então a gente leva a tecnologia da criação desses animais em cativeiro para as comunidades. E elas só precisam de um pequeno espaço para a criação", explica Violet Gwokyalya, que integra a Mamah.

Segundo ela, o projeto é levado também para escolas, onde crianças muitas vezes precisam estudar sem ter acesso a uma merenda. "Em Uganda, a maioria das nossas escolas não oferece merenda, então elas estudam de barriga vazia, o que é muito difícil para elas. Então, mesmo que elas não tenham uma refeição, pelo menos poderão comer insetos como um lanche."

Além disso, o projeto apresenta outros insetos comestíveis além daqueles a que a comunidade já está acostumada a comer, ampliando as opções.

Projeto da ONG Mothers Against Malnutrition and Hunger busca garantir que insetos comestíveis estejam disponíveis o ano inteiro para comunidades de Uganda - Foto: mamah.org/X

Para algumas comunidades, o inseto pode ser a única fonte de proteína animal, uma vez que, nesses locais, as mulheres não podem comer carne, frango e ovos, por exemplo. "Em muitas culturas, esses alimentos nutritivos são reservados para os homens apenas."

Outro trabalho que a ONG precisa fazer é justamente de convencimento às lideranças das comunidades a mudar esses hábitos e tabus, para permitir que esses alimentos estejam disponíveis também para as mulheres, quando disponíveis.

Em 13 anos de projeto, Violet já viu melhoria nos níveis de presença escolar e redução do abandono da escola, além de melhoria nos indicadores de baixa estatura infantil.

A Mamah é uma das iniciativas presentes na Aldeia das Soluções para a Nutrição, um espaço onde empresas e a sociedade civil expõem experiências bem-sucedidas na área de nutrição saudável, como parte da cúpula Nutrition for Growth (N4G), ou seja, Nutrição para o Crescimento, que acontece em Paris.

A cúpula, em si, será realizada nesta quinta (27) e sexta-feira (28), mas a aldeia, que é aberta ao público, em um parque parisiense, foi aberta nesta quarta-feira (26).

Outra iniciativa que exibe sua experiência na aldeia é a Cerfam, um centro de excelência em práticas agrícolas contra a fome e a desnutrição, mantido pelo governo de Costa do Marfim, com apoio do Programa Mundial de Alimentos (WFP).

"Nosso objetivo é identificar e documentar boas práticas de luta contra a fome e a desnutrição na África. A ideia é identificar práticas locais e disseminá-las pela África. Precisamos encontrar soluções para os desafios africanos, incluindo as mudanças climáticas e o crescimento demográfico", explica o diretor da Cerfam, Marc Nene.

O apoio político e financeiro a ações que promovam uma nutrição saudável e sustentável é justamente o objetivo da cúpula N4G, organizada pelo governo francês e que contará com representantes governamentais de 76 países, além da sociedade civil e setor privado.


*O repórter viajou a convite da Embaixada da França em Brasília

Fonte: Agência Brasil

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